"Por ti morri várias vezes, desde tempos imemoriais (…) Com cinco anos eu grego e você troiana, saí do cavalo de pau para matar o seu irmão. Matei, brigamos e eu por ti morri.
Aos sete queria ser soldado romano, perseguidor de cristãos . Me imaginei na porta da catacumba, encontrei-te novamente, mas desta vez a história era mais perigosa. Perto de ti o leão avistei, encabulado com a situação, ao teu lado pulei e enfim o leão nos comeu.
Fui pirata mouro aos onze. Toquei fogo na fragata onde tu estávas. Mas quando fui te pegar, um sinal da cruz a vi fazendo e logo em seguida rasgastes teu peito a punhal. De tanta dor não aguentei e novamente por tua causa, morri.
Novos tempos… Eu tina treze e fui cortesão de Versailles. Você jurava ser freira e o muro do convento pulei, mas na época com as compliações políticas, levaram-nos á guilhotina.
Hoje, só quero ser moderno e tenho dinheiro no banco. Você é uma loira de beleza inexplicável. E depois de morrer por ti inúmeras vezes o destino fez o seu papel e cá estamos nós, casando na mais bela igreja." - “Balada do amor através das idades” por Carlos Drummond de Andrade, transformado em narrativa romântica por Nayara Vital.